terça-feira, 4 de novembro de 2014

Como escolher o Comando de Válvulas ideal para motores Turbo e Nitro

O texto a seguir dá algumas dicas para a escolha do comando de válvulas mais adequado para sua aplicação. Lembrando que as informações principais foram tiradas de uma fonte internacional, informada no final do texto e as conclusões são o resultado de entrevistas com os melhores preparadores do mundo de várias categorias. A SPA Turbo fez uma releitura e tradução do texto reescrevendo de forma mais simples e sucinta tudo que foi dito.

Primeiramente devemos explicar alguns termos que serão usados neste texto para facilitar o entendimento do leitor. “Lobe Separation” é a distância angular entre o ponto de maior levante da exaustão para o ponto de maior levante da admissão. “Overlap” (Cruzamento de Válvula) é o tempo em que tanto a válvula de exaustão quanto a de admissão estão abertas, isso ocorre ao final do tempo de exaustão e início da admissão. “Back Pressure” é a pressão dos gases de escape dentro do coletor.

Uma característica muito importante que se deve conhecer na avaliação de um motor é o “Back Pressure”, independente se o motor é turbo ou aspirado, pois esse dado informa a qualidade/ desempenho do Coletor de escape também em motores aspirados. Já no turbo é uma consequência tanto do coletor quanto da turbina. Por convenção (não são todos os casos), turbinas mais antigas geram “back pressure” maior que a pressão gerada na admissão e turbinas mais modernas geram mais pressão na admissão do que na exaustão (“back pressure”).

No caso da pressão na admissão ser menor do que no escape, a sugestão é utilizar um comando com cruzamento de válvulas baixo ou “lobe separation” alto (111° a 114°), pois como a pressão na saída é maior, os gases de escape terão dificuldades para sair do cilindro após a combustão (gases não queimados) e irão dificultar a entrada da mistura (ar/combustível) por isso devemos reduzir o tempo de ligação entre a admissão e o escape reduzindo este efeito.

Quando a pressão no escape é menor do que na admissão, o cruzamento deve ser maior, pois a diferença de pressão ajuda a entrada da mistura (ar/combustível) na admissão do cilindro. Portanto utilize comandos com “lobe separation” de 106° a 109°.

Vale lembrar que estas escolhas não são tão simples ou diretas e envolvem muitas outras características do motor sendo que, no final das contas, o usuário pode não chegar onde queria: afinal, gosto é gosto. Por exemplo, uma consequência de aumentar o “lobe separation” é o motor ter uma curva de potência mais crescente, parecendo que o carro perdeu potência, pois não tem mais a “patada” característica dos motores turbo, essa característica é benéfica para transmissão, pneus, etc...

Para avaliar o retrabalho (preparação) feito nos dutos de cabeçote, uma característica a se analisar é a curva de torque. Um cabeçote bem trabalhado aumenta a duração (ou faixa) de torque máximo.

Quando se fala em performance, escuta-se muito sobre usar somente tucho mecânico e o motivo é que nas corridas somente as rotações médias e altas são importantes então um conjunto leve se comporta melhor. O tucho hidráulico em funcionamento fica carregado de óleo aumentando seu peso, neste caso a possibilidade de flutuação de válvula é maior quando comparado ao tucho mecânico, mais leve. Quando falamos de aplicação normal (rua), o tucho hidráulico é mais eficiente e econômico já que regula a abertura da válvula de acordo com a pressão de óleo, que por sua vez é conseqüência da rotação, ou seja, conforme a rotação do carro aumenta, a pressão de óleo também e cada vez mais a abertura da válvula, gerando principalmente economia de combustível e aumentando torque em baixas rotações.

Voltando a algumas outras características de comando, outra regra direta (porém influenciável por outras características do motor) é sobre comandos assimétricos. Usando a admissão com maior duração que a exaustão trazemos a faixa de torque para as rotações mais baixas, já o oposto (exaustão com maior duração que admissão) fica mais fácil atingir maiores rotações com mais torque.
De acordo com testes feitos em dinamômetro, conforme se aumenta a duração do comando a potência aumenta significativamente, já o torque também aumenta até um ponto máximo e começa a reduzir. Nesta mesma análise, comandos com duração maior têm a maior potência em rotações mais altas assim como a faixa de torque. Lembrando que comandos com alta duração só terão bons resultados em cabeçotes preparados, adequados à configuração do motor e comando.

Uma pequena observação para carros nitro também pode ser feita quando se fala em comando. A temperatura alta da câmara de combustão separa as moléculas do N2O, fazendo com que oxigênio puro fique disponível para ser queimado. Portanto o cruzamento de válvulas, neste caso, deve ser pequeno para que este oxigênio puro não seja perdido pela válvula de exaustão.

Paulo Henrique de Melo Bruni
Engenharia SPA Turbo

by Spa Turbo

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